Assistia ao Programa do JÔ, ontem ( 23/06/11).
A um dos entrevistados (um sacerdote), o Jô perguntou, o que já havia questionado a um bispo ou cardeal da mesma igreja daquele religioso sem sacerdócio pleno:
- Um padre pode doar sêmen?
Ao Dom... causou certo estranhamento tal pergunta. Confessou-se surpreso e, honestamente, disse que não tinha como responder de imediato sobre aquilo. Era preciso pensar mais detidamente.
Por certo.
O Jô, por sua vez, relacionou a doação de sêmen com à de sangue. Será que uma coisa tem a ver co’a outra?
A meu ver, não.
O entrevistado disse bem:
- Não é uma questão de vida, de salvá-la. O que ocorre na doação de sangue. Ora, nenhuma mulher morrerá por não engravidar. Evidentemente, que toda mulher deve sentir um enorme desejo de ser mãe. Desde a antiguidade, a procriação era algo relevante e até mesmo relacionando-se a fertilidade com as bênçãos divinas. Isto é, se um casal não tivesse filhos, era logo tachado de amaldiçoado por Deus. Eram alvos de suspeitas de que, ou eles ou os pais, avós, bisavós, tataravós haviam cometido um pecadão dos bravos. Porque, segundo criam ( ainda há quem creia nesses absurdos), Deus pune até não sei qual geração os que lhe aborrecem.
Bom; não creio que o Deus de Jacó, de Abraão, dessa galera toda, se irrite como se fosse um deus do panteão grego. Fosse assim, a gente estaria ralado e mal ou bem pagos com a morte ou com sofrimentos indizíveis, bem piores do que ficar eternamente rolando pedregulhos ao alto de um monte e, novamente, quando este rolasse para baixo... Tudo de novo. É... tem quem pense que a eternidade – seja de um inferno ( mundo inferior, ou existência ou algo assim ‘embaixo’) seja monótona ou sacrificante, ou a fim de simplesmente viver conforme nossas escolhas em meio ao sofrimento danado.
Poxa! Em que Deus esse pessoal crente acredita??!!
O sofrimento ou é independente da vontade divina, portanto com a permissão de Deus; e unicamente por algum tempo e para um fim determinado: o de nos salvar, desviar de erros maiores, sei lá. Mas nunca poderia ser um recurso dispensado pela eternidade ( sem fim, portanto), de maneira quase sádica, se não o for, por um Deus que assistiria a isso sentado em seu trono de Justiça e Amor.
Mas divaguei demais.
O fato é que, com relação ao sêmen, há relatos desde o Gênesis ( primeiro livro da Bíblia, já que o sacerdote é cristão) em que Onã ( de onde se deriva o onanismo) é punido por desperdiçar seu sêmen. Ou seja, mantém relação sexual sem introduzi-lo na mulher com quem coabitara.
Disso, se extraem duas questões:
- Afinal, o sexo seria apenas para a procriação?
- O onanismo seria assassinato? Se assim o for, Deus recorre à Lei de Talião, uma vez que Sua Justiça prevê morte a quem mata ou inviabiliza uma nova vida através do sêmen que não é ovulado?
Quer dizer, parece que nesse caso não há relação direta com a masturbação. Primeiro, porque houve relação íntima entre duas pessoas. Diferentemente de quem se toca, até ejacular... Sendo bem claro.
Sendo assim ( nem entrando na discussão absurda de quem puna, castigue alguém), discutamos a finalidade primeira ou o objetivo de uma união matrimonial, conjugal.
A Igreja Católica, se estudei bem a Doutrina Social da Igreja enquanto seminarista, ensina que a primeira coisa a ser relevada em um casamento religioso é o bem-estar do casal. Tanto que, se não pudessem manter relacionamento sexual, seja pelas condições dispostas de sua idade e o decorrente desinteresse pelo sexo ou em virtude de impotência, embora hoje tenham alguns ‘azuizinhos’, ou ainda em casos em que algum dos cônjuges seja estéril, o casamento ( entenda-se matrimônio) não seria nulo caso ambos estivessem cientes de tais problemas e assim mesmo quisessem viver, amorosamente, junto da pessoa amada.
Veja que não é a questão sexual, seja pelo sexo ou, em decorrência dele, o ter filhos que é o objetivo primeiro da união entre pessoas que se amam. No entanto, quando a igreja fala em ‘estar aberto à possibilidade de ter filhos’...
Fica muito difícil imaginar esta abertura à geração de filhos se alguém estéril pode se casar, mesmo que não esteja ‘aberto’ a isso. A não ser que a ciência avanece, facultando ao naturalmente estéril algum tratamento posterior ao matrimônio ou que adie seu casamento, o que seria ridículo de se esperar...
Pensemos:
Quando alguém vai a um banco de sêmen, deposita-o lá... Como?
Nunca me dispus a tanto, mas vi diversas vezes em filmes que o rapaz chega todo constrangido... Aparece uma assistente, enfermeira ou auxiliar de enfermagem, geralmente gorda e carrancuda. Encaminhado a uma sala, o rapaz tem em mãos ( além do órgão a ser tocado) uma revista de conteúdo pornográfico e alguns vídeos... Enfim, é preciso estimular a imaginação. Em outras palavras, despertar o tesão do carinha!
Agora, imaginem como isso se daria com um sacerdote?
Primeiro:
- O padre não deveria se masturbar. Antes, tivesse, então, uma relação sexual normal. Na hora ‘h’... ou ‘e’... Guardasse o conteúdo salva-vidas em um potezinho.
Também não questionarei se o filho do padre poderá desenvolver alguma propensão ao sacerdócio. Afinal, se vale para os peixes... Não posso assumir, logicamente, que se dê com homens, ainda que padres.
Mas não posso conceber que um padre terá de se masturbar, alimentando-se de pensamentos eróticos com uma mulher.
Jesus foi bem claro sobre a perversão que um homem cometeria tão-somente no pensamento. Logo, o padre estaria em pecado. E não posso pensar maquiavelicamente que os fins justificariam os meios. Todavia, considero uma tremenda incoerência se um padre ou a Igreja aceitasse tais práticas. A não ser que a humanidade realmente estivesse a ponto de ser eliminada da face da terra por faltarem homens, seja pela guerra que dizima até aos mais fortes. Porque, até onde eu saiba a Bíblia até mesmo aconselha a que não se tenham filhos ‘nos últimos tempos’ já que haverá guerra, fome...
O mundo está uma bagunça, disso sabemos. Por outro lado, se nem Jesus sabe o dia, a hora, do seu Advento, não posso dizer que o mundo está por acabar. Porém, se a Igreja acredita na Providência divina e se assume que este mundo será modificado, que virá uma Nova Jerusalém literalmente, isto é, se este mundo for destruído ou se Deus vier novamente, na Pessoa de Jesus, todo glorioso... Pergunto: os padres deveriam intervir nos desígnios de Deus? Se a humanidade tivesse de ser eliminada da face da terra, pois que o fosse. Não seria, aliás, a primeira vez: lembrem-se do dilúvio. Só não sei se restaria algum Noé dessa vez.
De qualquer maneira, é inconcebível imaginar que um padre pudesse doar sêmen. Ou então permita-se o casamento deles. E que tenham filhos, ao menos os que forem férteis. Ou dirão que alguns percauços também não acometeriam aos Ministros de Deus?!
Bom... Isso é discussão desnecessária.
Quem quiser ter filho de padre, ao menos saiba: se ele se masturba, peca (em pensamento e em ato) e não está salvando vidas. Se ele pratica o ato sexual, peca. Embora, neste caso, estaria sendo menos egoísta ou fechado ao outro. Ora, se a união conjugal deve estar aberta à vida, o sexo também deve estar aberto ao outro.
Entendam como quiser... Só não comparem uma doação de sangue com à de sêmen.
E outra coisa: o “céu”, catequistas! Não pode ser comparado a algo que nos faz felizes. O Sexo não é questão a ser tratada no âmbito da eternidade, segundo Cristo.
Quando perguntaram ao Messias sobre a mulher que se casara uma vez, seu marido falece, e não tiveram filhos; como costume daquele povo, ela se casa com o irmão de seu marido , para que tivesse filhos do mesmo sangue daquele (a preocupação com a hereditariedade, o nome da família, do pai, as bênçãos dos céus, não ser considerado estéril, não cair no esquecimento nem virar alvo de recordações maledicentes). Este também morre... Ela se casa com um terceiro, que também bate as botas. E assim acontece sete vezes. Bem se vê que o sete pode ser perfeição ou o máximo dos pecados capitais e das tragédias humanas.
Perguntam a Jesus:
(Ironicamente, os caras-de-pau)
-Mestre, qual deles será seu marido na eternidade?
-Não haverá marido e mulher. Na eternidade, homem e mulher serão como anjos.
Logo, não haverá sexo na Terra da Nova Jerusalém. Logo, não haverá procriação nem prazer advindo desses relacionamentos. Algo a ser questionado, mas se seremos comos anjos, reitero, até onde eu saiba, e estes não praticam sexo; se o praticaram alguma vez, deles (dos anjos) descenderam os ‘gigantes’ e talvez algumas genialidades malignas (porque os anjos, ainda que sem corpo físico foram criados em estatura e intelecto maiores do que os humanos) e a parte da hoste celestial, a terça, que se perverteu em favor das ideias de Lucífer coabitou com mulheres. Se isso de fato se deu.
Concluindo:
-União conjugal é para o bem do casal. Inclui sexo e ter filhos, mas não necessariamente. Não pode prescindir, contudo, de amor e de sinceridade. A verdade prevalece e aceitação de ambos confirma a união diante deles próprios e de Deus.
- doação de sangue é um recurso maravilhoso e indispensável, fruto de amor e de consciência de cidadãos racionais e livres para amar o próximo, que visa salvar vidas. Doar sêmen não salva vidas; possibilita uma nova geração... de vida. Ora, se a mulher precisa, sente-se necessitada de ter filhos, do contrário morreria, primeiro seja encaminhada a um psicólogo ou chamem o padre. Caso ela seduza o padre com o fim de procriar, nem sei se é o caso daquele padre ou outro exorcizarem-na. Caso ela esteja com o ‘diabo no couro’. Daí, o padre escolhe: ou a livra do mal, cometendo algum pecado ou jorra água benta nela. Certamente que ela não engravidará com este líquido, mas não terá feito mal algum a ambos; sequer no outro caso, desde que ele abandone a batina e vá dar jeito de honrar com a petição suplicante da filha de Deus. Ajoelhou... Reza!
- Se é prevista alguma necessidade de sêmen para o futuro, com tantos homens não padres que haja por aí: comecem logo a fazer um banco mundial com imensa reserva de material genético, tal que nunca se peça tal coisa a um religioso.
- Para quem quer relacionar ter filhos com salvar vidas, adote uma criança. Fará bem melhor do que esperar que um padre se masturbe. Isso sim seria muito mais do que uma proposição filosófica. É a uma atitude prática e humana.
É isso.
Um beijo do ex-gordinho!
P.S.: a Igreja pode até pontificar sobre questões das quais não experimenta, não vivencia, como o sexo... Mas quando se fala em amor, essa instância engloba a dimensão sexual. Não é necessário ter praticado o sexo, para saber que ele é bom já que temos ferormônio e um aparato para atrair o parceiro sexual. Um religioso assume que toda criação e disposição permitida por Deus, dádiva por Ele às suas criaturas é algo bom.
Assim como não preciso me drogar para assumir que isso é ruim, prejudicial. Valho-me, para tanto, dos relatos científicos e do raciocínio de que tudo que interfere na minha maneira livre natural de viver, agir e sentir não é algo bom, à medida que prejudica meu organismo e minhas relações sociais, afetivas.
Todos nós, diariamente, ‘pontificamos’, sobre muitos assuntos dos quais não tivemos experiência. Muita gente, aliás, fala sobre o celibato, critica-o. Engraçado. Não o vivem; como podem, então, ‘pontificar’ sobre isso?!
Um padre pode falar sobre o amor conjugal, mas claro que não o fará como sexólogo nem descreverá o Kama Sutra aos amantes. Por favor, né!...
Outra coisa: se um padre se referir ao casamento e às mulheres de maneira desdenhosa... Aí tem problema. Creio que o pecado seria ainda mais pernicioso do que o de se masturbar. Ou como ele defenderá a família constituída através do matrimônio se, embora ele viva em estado de celibato, desacredita ou abomina as mulheres e o sacramento pelo qual, em tese, ele deveria vir ao mundo?!
Nenhum religioso deveria proferir "Graças a Deus!" por ser celibatário. Apenas viva conforme seu estado, com a Graça, sim, Divina. Afinal, se fôssemos optar pelo nosso estado de vida e civil por causa dos testemunhos de alguns, talvez não apenas não nos casaríamos como também sequer iríamos à igreja. Não generalizemos sobre aspecto algum na vida!
Ao menos esse padre deve ser santo ou se se masturba... Nem quero cogitar no que ele pensa!
Pensem. Falem o que quiser, mas pensem sobre...
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