terça-feira, 21 de junho de 2011

A última ‘pérola’ da qual tomei conhecimento.

Soube que uma menina de apenas oito anos de idade foi chamada por coleguinha de turma, em escola particular sul-riograndense, de ‘fracassada’!!

Pode?!

Alguém pode ter fracassado aos oito anos de idade?

O que outra criança pode saber sobre fracasso?

Pensei: uma criança, filha de pais formados em curso superior, ambos, que estuda em uma ‘boa’ escola; que pratica arte marcial ( judô), pode se sentir afetada com uma ofensa daquelas?

Quem luta não briga, isso é certo. Mas será que uma criança terá tanto auto-controle para agüentar cuspes à cara, lanches roubados e ofensas verbais, como: ‘chata’, ‘fracassada’ ?

Eu não posso afirmar que, mesmo sendo adulto, não revidaria...

Uma professora disse à mãe da criança ofendida, agredida,escanteada pelos demais alunos daquela ‘ótima escola’, que: - ‘há uma diretriz da escola pela qual se privilegia os filhos de professores’.

Isso mesmo. Os que cometem ofensas, que escanteiam a coleguinha, são filhos de professores.

Que educação receberam em casa???? Ou será que os pais, professores, quando muito só educam na sala de aula?

Fico pensando: se eu fosse aquela menina, sendo bem maior do que as demais de sua idade,  poderia desferir um golpe qualquer em quem cuspisse em meu rosto. Mas, agressão... Não resolve nada.

Se eu fosse pai da guria... Ah! Processaria a escola por negligência, no mínimo. Ou dirão que desconhecem o que acontece no interior de suas construções voltadas ao ensino e humanização daquelas crianças??

Quer dizer, as nossas crianças não estão seguras nem educadas nas escolas. É um absurdo!

Se existe algum fracasso, este é da escola que não sabe educar os seus alunos e que privilegia os filhos de professores. Crianças que deveriam ser bem educadas, sendo que dispõem de educação em tempo integral: na escola e em casa.

Será que a Direção da escola em questão ( omito qual seja) desconsidera que a folha de pagamento dos professores é custeada pelos pais dos alunos que não são filhos de professores, ao menos não daquela escola??

Se a escola é um local de vaidades, de disputas de sobrenomes... há algo a ser repensado: a escola de fato é para todos?

Claro que aquela escola é particular. Logo, qual status têm os filhos de professores quando comparados aos de profissionais mais bem sucedidos?

Não é questão de desmerecer o professor, mas – cá entre nós- os professores não são em nada valorizados no Brasil. Como, então, os filhos desses podem se sentir superiores a outras crianças ao ponto de escantearem-nas?

Nem na rede pública isso ocorre, penso. Pois fiquei pasmo ao saber que isso se dá na rede privada.

No entanto, quando uma ‘perua’ de sobrenome qualquer – de classe emergente – faz de suas idas à escola, para levar seu rebento aos estudos, um evento mega-hiper, vestindo-se como para uma festa de Reveillon, até entendo: quer causar inveja ou marcar presença naquele reduto. Em outro ambiente, com pessoas da classe AAA, ela seria apenas uma classe-média esnobada.

É bem assim: as pessoas são esnobas, humilhadas; esnobam e humilham outras.

Por isso, penso se aquelas crianças não se reúnem no grupinho fechado como modo de se defenderem do convívio com crianças de realidade da qual invejam, na verdade.

Ou se aquela criança que chamou à outra de ‘fracassada’ não teria escutado tal palavra em sua casa.

A escola, a meu ver, e as famílias - sejam de professores ou de pessoas com bons recursos financeiros, emergentes ou de famílias tradicionais- estão fracassando no seu papel: o de educar seus filhos, alunos.

Eu fiquei sabendo disso. Não quis fracassar, ou melhor: não quis me omitir. Seja um caso de bullying ou falta de educação, a escola, os pais, a sociedade deve dar um basta a atitudes dessas.

Ou fechemos todas as escolas no Brasil!!

Estou cansado de ver baixarias nas instituições de ensino. De ter de desviar das politicagens em torno dos campi universitários.

Brasil, mostra tua cara! Se a vida cuspir em ti, mostre que tu- se não tens –queres ser educado. De fato.

Melhores professores.

Pais que saibam educar aos seus filhos.

É o que basta para as séries iniciais da vida. Penso.




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